• Ranulfo Pedreiro

Blues Beatles recriam standards dos Fab Four


Banda retorna a Londrina nesta quinta (4) para tocar na 12ª edição do Festival Blues, que prossegue até sábado (6)


Se os bluesmen americanos influenciaram os Beatles no início de carreira, o quarteto inglês volta inusitadamente às raízes pelas recriações dos Blues Beatles, conferindo um novo prisma para temas consagrados.


Tudo começou durante um ensaio da banda Today, formada por Marcos Viana (voz), Flavio Naves (piano), Bruno Falcão (baixo) e Fred Barley (bateria). De repente, Marcos Viana começou a cantar despretensiosamente uma música dos Beatles com levada de blues. Foi então que uma luz se acendeu: aquilo tinha potencial para ganhar um show completo.


Logo a banda voltou-se totalmente para a ideia de levar os Beatles à linguagem do blues e, em pouco tempo, estava na estrada. A repercussão foi rápida e chegou ao exterior, com fãs espalhados pela Europa, Estados Unidos ou mesmo na Índia.


Cada versão é meticulosa, desenvolvida para atrair tantos os fãs de blues quanto os fãs de Beatles. O resultado é uma mistura de hits inesquecíveis com espaço para o improviso, incluindo solos de piano, guitarra e muito suingue.


Os Blues Beatles voltam a Londrina para participar da 12ª edição do Festival Blues da cidade, nesta quinta (4), às 21hs, no Bar Valentino, com ingressos à venda pela Sympla.


Confira a entrevista com o cantor Marcos Viana:


Os Beatles são uma das bandas mais cultuadas da música e suas canções fazem parte da cultura universal. Como é fazer versões de obras tão consagradas? Como vocês percebem que uma versão deu certo?

Marcos Viana - Eu sou beatlemaníaco. Cantar, ouvir e estar no palco ao lado de músicos gigantescos e maravilhosos é uma diversão sem palavras, e posso responder pela banda. Essas obras tão consagradas fazem com que a gente esteja sempre com esse sorriso no rosto e nunca diminui, isso é incrível. Normalmente a gente testa umas três versões, e uma dá certo, sempre enquadrando no blues, porque os Beatles deram asas à música, tem parte B, parte C, bridge… O blues, não. Tanto que muitos blues se parecem uns com os outros. A gente tenta cortar e trazer nem para lá, nem para cá… nem muito blues, nem muito Beatles. A gente vê que deu certo e o processo é rápido.



Vocês já tentaram enviar algumas de suas versões para o Paul McCartney ou ao Ringo Starr? Como você acha que eles receberiam seu trabalho? Vocês já se apresentaram em Liverpool?

Marcos Viana - Nunca enviamos música para o Paul e o Ringo. Eu sei que o Paul não gosta de banda cover, mas não fazemos um trabalho cover. Em Yesterday, nós mudamos até a melodia. A gente paga os direitos autorais só pela letra. Talvez ele veja isso como uma coisa autoral, que é como a gente encara. Mas, sinceramente, falando por mim, não tenho essa pretensão. Não nos apresentamos em Liverpool, já fui para lá duas vezes. Já me apresentei em Londres, dando canja em um bar chamado Nothing But The Blues, em um show do Johnny Burgin, foi sensacional, tocamos Sweet Little Angel, do B.B.King. Mas, na Europa, só tocamos na Escandinávia: Dinamarca e Noruega. Tocamos lá, onde nasceram os vikings.



Vocês já se apresentaram em Londrina e os shows dos Blues Beatles costumam ter a energia dos Beatles com o feeling do blues. Por que as canções dos Beatles são tão poderosas a ponto de manter a força e a atualidade ainda hoje?

Marcos Viana - Nosso equilíbrio vem disso, nem lá nem cá. Nem blues, nem Beatles. Trazemos para o meio. Se tem parte B e C, vamos fazer só a parte B. Se tem só parte A no blues, vamos fazer uma parte B. É bem isso. Esse é o equilíbrio, trazer tudo para o shuffle, para o slow ou para um boogie. Os Beatles deram asas à música, que estava uma coisa meio old fashioned para o jovem. É a música ganhando asas para poder chegar a mais pessoas. O rock é bom, o blues é bom, a mistura é boa. E é por isso que os Beatles estão aí até hoje… A melodia é tão inovadora que teve impacto para a época, eles fizeram tantas obras em tão pouco tempo… Tiveram um impacto muito grande em pouco tempo. Os Beatles conseguiam fazer um disco com todas as músicas prontas para serem hit. Isso é uma coisa que ninguém nunca viu. Tem dois deles vivos ainda, tem Beatles ainda por muito tempo, se Deus quiser.



Qual a contribuição que os brasileiros dão ao blues e ao rock?

Marcos Viana - Bom, olhando para a bolha que eu vivo, e não para o Brasil que gosta de sertanejo e funk, eu vejo grandes nomes no Brasil. Três dos que eu vou citar aqui já fizeram parte dos Blues Beatles e eventualmente ainda tocam com a gente, que é o Igor Prado, o Arthur Menezes, o Fred Sunwalk, que também foi para os EUA… Eles estão contribuindo muito, e sempre. Os americanos falam que a gente leva alegria, chegamos sorrindo, brincando. Talvez esteja faltando isso no blues americano. Eu não estou generalizando, porque conhecemos gente lá que anima muito… Mas é isso, chegamos com o sorriso estampado. É o entusiasmo com que a gente entra no palco. Essa contribuição é muito boa. O Brasil é que precisa acordar um pouco mais, mas isso é assunto para muito tempo.


Qual outra banda mereceria um trabalho parecido como o que vocês fazem com os Beatles? Qual banda brasileira merecia ser tocada pelos bluesmen americanos?

Marcos Viana - Cara, eu não tenho dúvida nenhuma para responder isso: Black Sabbath, com o Ozzy Osbourne. Tem muito blues em Black Sabbath e eu sou muito fã de Black Sabbath. Respiro tanto Black Sabbath quanto Beatles. Eu sou fã dos anos 70, Led Zeppelin, Deep Purple… Acho que todas essas mereceriam, mas principalmente o Black Sabbath, porque geralmente eu pego o violão e faço: “General gathered in their masses” [cantarola o início de War Pigs]... Isso é blues da época de 1920. É o pessoal trabalhando e cantando sem instrumento. Isso é sensacional, são melodias que mexem demais comigo. A raiz do blues, mesmo, ali no Mississipi… Eu gosto muito da raiz das coisas. E a banda brasileira que mereceria ser tocada pelos bluesmen americanos é Secos & Molhados. E também Planet Hemp, Usuário é um disco sensacional, tem groove. Claro, Tim Maia, e, o número 1, Jorge Ben. Aí eu vou abrir um leque, já está vindo uma lista gigantesca aqui que é melhor parar. Sou muito fã da música brasileira, também.




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